ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO NA CULTURA DIGITAL
UFSC/MEC/SED-SC/UNDIME
Pós-graduandos: Antônio Bernardi, Carla
Maria Bertoluci, Lisandra Inês Herpich, Raphael Allonso Pereira da Costa e
Valdecir Rogério Rautenberg
Retrato da Escola de Educação Básica Luiz Delfino
A EEB Luiz Delfino está localizada na Rua São José, 222, no
Centro da cidade de Blumenau/SC e tem uma área territorial de 7106,84 m² e 4044
m² aproximadamente de área construída.
A instituição
abrange todos os níveis de ensino, desde o Ensino Fundamental, compreendendo os
Anos Iniciais (1º ao 5º ano), Anos Finais (6º ao 9º ano), ao Ensino Médio e
também o Programa Ensino Médio Inovador. Atende, em média, 1300 alunos, nos
turnos matutino, vespertino e noturno.
Para atender a essa
demanda conta com 72 professores, sendo, em média 50% efetivos e 50% Admitidos
em Caráter Temporário (ACT’s). A equipe gestora é composta por 01 Diretor
Geral, 03 Assessores de Direção, 01 Orientadora Educacional, 01 Assistente
Técnico-Pedagógico e 02 Assistentes de Educação.
Conforme o Projeto
Político Pedagógico/PPP (2014, p. 10), a população escolar é oriunda de “várias
classes sociais, de uma situação cultural, religiosa e etária igualmente
variada”. Por conta de a escola estar situada no centro da cidade há uma
constante demanda de todos os bairros da cidade, uma vez que “os pais trabalham
no centro da cidade, o que facilita o transporte. Outro aspecto relevante,
quanto à demanda, é a preferência dos pais que aqui estudaram para que os
filhos recebam a formação escolar na mesma instituição” (PPP, 2014, p. 10).
Faz parte do
equipamento tecnológico da escola: filmadora; câmera digital profissional;
sonorização ambiente; multimídia móvel; datashow e computador nas salas de aula
do ensino médio; televisão; vídeo móvel; aparelhos de CD’s móveis; tablets,
lousa digital; internet sem fio. Convém ressaltar que os ambientes são
climatizados e a escola dispõe de: sala de tecnologias educacionais (sala
informatizada); sala de vídeo; biblioteca e videoteca; laboratório de humanas e
exatas equipado; sala multifuncional para alunos com necessidades especiais.
Além disto, a escola possui um blog (http://escolaluizdelfino.blogspot.com.br).
A sala de
tecnologias educacionais possui 02 impressoras e 32 computadores conectados à
internet “para uso dos alunos, com acompanhamento do professor das mais
diversas áreas” (PPP, 2014, p. 65). Em 2013, a escola aplicou parte dos
recursos da Associação de Pais e Professores na ampliação da velocidade da
internet da sala de tecnologias educacionais.
O atendimento na sala de tecnologias educacionais é realizado
por dois professores: 01 para o atendimento nos períodos matutino e vespertino,
e 01 para o atendimento no período noturno. Em diálogo com estes profissionais,
percebemos a sala de tecnologias educacionais é utilizada por alunos e
professores, principalmente com finalidade de pesquisa dos conteúdos em estudo
nas diversas áreas, elaboração e socialização de trabalhos, como por exemplo,
vídeos, folders, revistas literárias, jornais, narrativas ilustradas, árvore
genealógica, entrevistas, etc, utilização do editor de texto e apresentação de
slides (Impress/PowerPoint), além de jogos lúdico-educativos.
A utilização do
auditório (sala 16), laboratório e sala de tecnologias educacionais, bem como
dos equipamentos móveis, dá-se mediante agendamento prévio, junto ao
encarregado na secretaria da escola. O uso da biblioteca e videoteca é agendado
diretamente com a Orientadora de Leitura. As salas de aula que possuem
multimídia são utilizadas sem agendamento, conforme os objetivos da aula do
professor e mediante monitoramento do mesmo.
O Programa Ensino Médio Inovador em seu documento norteador,
também presente no PPP da escola, estabelece, no item f, o “fomento às
atividades que envolvam comunicação e uso de mídias e cultura digital, em todas
as áreas do conhecimento” (PPP, 2014, p. 27).
O Ensino Médio Inovador, conforme PPP (2014, p. 43) possui um
programa de informática “integrado à grade curricular do ensino médio inovador,
na área de informática, tendo um professor orientador” que objetiva:
1.
Adaptar a informática ao currículo escolar, utilizando o computador como
instrumento de apoio às matérias e aos conteúdos lecionados, além da função de
preparar os alunos para uma sociedade informatizada.
2.
Habilitar e dar oportunidade ao aluno de adquirir novos conhecimentos
tecnológicos, facilitando o processo ensino aprendizagem.
3.
Possibilitar que o aluno use as tecnologias como ferramentas no processo de
reflexão e de construção do conhecimento. (PPP, 2014, p. 43)
Na realidade que
estamos construindo na escola, procuramos adaptar o uso das TDICs à
aprendizagem dos educandos e à prática pedagógica dos professores. Entendemos
que as tecnologias permeiam todas as áreas do conhecimento.
Na EEB Luiz Delfino
são utilizados os recursos oferecidos por equipamentos móveis de filmadoras e
câmeras fotográficas, projetores móveis e celulares e, ainda, programas e
aplicativos de computadores móveis ou não. Além do armazenamento de
informações, dados, imagens e outros materiais, as TDICs auxiliam no
planejamento e desenvolvimento de aulas, apresentações, comunicados,
documentação, exemplificação de conteúdos trabalhados, pesquisa, execução de
projetos, exposições, entre outros usos. Desde aparelhos de televisão e
vídeocassetes até modernos computadores pessoais, as TDICs passaram a fazer
parte do cotidiano da escola. Além dos equipamentos da escola, há professores
que autorizam os alunos a usarem seus celulares/tablets para realização de
atividades diversas de conteúdos trabalhados em salas de aula.
Todos os
equipamentos estão à disposição dos alunos através de orientação e mediação dos
professores. Quando a aula é planejada e bem conduzida pelo professor, os
alunos realizam bons trabalhos, desenvolvem a criatividade, participam e o
fazem de maneira organizada ampliando os conhecimentos.
Em relação ao uso
das TDICs na EEB Luiz Delfino, ao
longo dos anos, essas são utilizadas conforme sua evolução tecnológica e
disponibilidade. Houve uma cronologia de usos de acordo com esse critério
evolutivo e, seu uso acompanhava também o interesse dos professores por
introduzir essas tecnologias em sua prática pedagógica. Convém lembrar que
sempre auxiliaram as tarefas em toda escola quando permitiram valiosos avanços
em economia de tempo, mão-de-obra, materiais, entre outros.
Sobre as práticas
que podemos identificar e registrar, consideramos que praticamente todos os
setores do ambiente escolar se beneficiam das TDICs, desde a impressão de
documentos até a organização de testes, aulas, apresentações, etc. Na escola
diversas experiências importantes podem ser mencionadas, como, por exemplo:
- releitura de
filmes pelos alunos do Ensino Médio (1° anos) de âmbito interdisciplinar, com
filmagens e registros das diversas etapas de produção sendo as obras
escolhidas: Coach Carter, Pequena Miss Sunshine, Cartas para Julieta e
Quebrando a banca. Foi um trabalho gratificante e motivador;
- registro em vídeo
e fotos de diversas saídas de campo com posterior socialização no blog da
Escola e/ou apresentações pontuais em sala de aula ou no auditório;
- confecção do blog
da escola e postagem de diversos materiais informativos ou acadêmicos;
- aulas-show na
disciplina de Geografia, que visam aprimorar o aprendizado com a interpretação
de imagens sobre os temas estudados;
- utilização de
diversas tecnologias no desenvolvimento de aulas, reuniões e informes por parte
de professores e gestores;
- utilização de
aparelhos multimídia, em horários alternativos, para pesquisa, convivência e complementação
de conceitos estudados em sala. Os alunos do Ensino Médio Integral utilizam
essas tecnologias no horário de convivência, após o almoço, no auditório, na
biblioteca, sala de aula ou utilizando seus próprios equipamentos utilizando a
internet livre oferecida na escola.
Podemos citar, ainda, outra experiência com o uso das
tecnologias que foi realizada pela professora de Artes/Teatro com os alunos do
3º ano 01, do Ensino Médio Inovador: o teatro filmado. Para essa atividade foi
realizada uma improvisação de uma cena de um filme escolhido pelos alunos.
Primeiramente, a professora explicou a temática, os recursos
a serem utilizados, os objetivos gerais do trabalho e exemplificou com um vídeo
produzido por outra turma. Posteriormente, os alunos, organizados em grupo,
escolheram os recursos tecnológicos, roteiro e outros aspectos necessários para
o desenvolvimento da improvisação.
As atividades referentes ao teatro filmado (filmagem,
ensaios, edição, etc.) realizado pelos alunos, na sala de aula e também em
horário extraclasse, tiveram diversos cenários e contaram com o apoio dos
recursos tecnológicos dos alunos e os oferecidos pela sala informatizada para
seu o desenvolvimento.
Para avaliar a produção dos alunos, foram levados em conta
aspectos como o trabalho em equipe, a organização, criatividade, efeitos
visuais e sonoros, roteiro, recursos tecnológicos utilizados, figurino, entre
outros.
Para a edição das filmagens, os alunos encontraram certa
dificuldade em trabalhar com o sistema operacional Linux da sala informatizada
da escola, preferindo utilizar o Windows em equipamento próprio.
Conforme dados obtidos por meio de entrevista gravada com os alunos do segundo e terceiro ano o Ensino Médio
Inovador da EEB Luiz Delfino, as práticas vivenciadas pelos alunos se dão
através de celular, computador, tablet, câmeras digitais, internet e projetores
multimídia. De maneira geral, os alunos relataram que gostam de utilizar
tecnologias nas aulas para a elaboração e apresentação de trabalhos, pesquisas
e na interação e convívio entre eles em redes sociais, entre outros.
Inicialmente, as
mudanças que as práticas educativas vêm produzindo no contexto escolar, dentro
e fora das salas de aula, geram momentos de reflexão a respeito da utilização
dessas tecnologias, visto que sua implementação demanda planejamento e controle
sobre o uso devido das mesmas. Uma vez que oferece um sem número de
possibilidades, cabe à escola orientar a utilização de modo que favoreça o
processo de ensino e aprendizagem.
Observamos também,
que pode haver conflito de gerações, pois nem todos os atores desse processo
reagem bem e imediatamente ao uso das TDICs. Enquanto que para os jovens é um
processo quase automático, para os mais velhos (leia-se, muitas vezes
professores) exige a quebra de paradigmas pessoais e até coletivos.
A cultura digital é
inexorável, mas a percepção de sua evolução requer um olhar diferenciado e um
esforço mais coletivo dentro e fora das escolas. As gerações mais novas
apropriam-se mais rapidamente do uso das tecnologias do que gerações mais
velhas porque já nascem dentro de uma cultura digital. Essa diferença pode
gerar conflitos visto que, os níveis de interesse, familiaridade e integração
são distintos. Dentro de uma visão construtivista e sociointeracionista (Piaget,
Wallon e Vygostky), podemos perceber que o conhecimento das tecnologias se faz
tão rápido quanto for a integração do sujeito com as mesmas.
Souza
e Gamba Júnior (2002, p. 112) propõem um diálogo, uma relação dialética entre
adultos, jovens e crianças. Para esses autores,
a distância espaço-temporal entre as
gerações, em vez de se tornar um obstáculo para se compreender melhor a nossa
época, passa a ser uma solução promissora, posto que a dimensão alteritária
entre as visões do adulto, da criança e do jovem sobre um mesmo objeto,
enriquece definitivamente nossas possibilidades
de compreensão do objeto em questão como um artefato da cultura.
Podemos relatar que
muitos professores já utilizam cotidianamente as tecnologias no planejamento,
pesquisa e desenvolvimento de suas aulas, mas para termos uma visão mais
detalhada e completa, desenvolvemos um questionário, que foi
aplicado aos professores para construir um panorama do uso das TDICs na escola.
Os professores entrevistados atuam no ensino médio e alguns deles também no
ensino fundamental. O tempo de atuação no magistério dos entrevistados varia
entre 06 meses e 18 anos.
Os professores
entrevistados utilizam, no planejamento de suas aulas e na prática pedagógica, os
seguintes recursos tecnológicos: sites específicos de cada área de atuação,
redes sociais, programas PowerPoint, Word, Excel, filmes, documentários,
computadores pessoais e de uso coletivo da escola, internet, tablets,
celulares, câmeras digitais, projetores multimídia, rádio, aparelhos de som e
DVD.
Os recursos
tecnológicos citados pelos professores entrevistados são utilizados para tornar
as aulas mais atrativas, dinâmicas e facilitar seu desenvolvimento, fixar e
ilustrar conteúdos, aprofundar conhecimentos com vídeos e imagens, exemplificar
como aplicar o conhecimentos específicos de cada disciplina no cotidiano,
facilitar a compreensão dos conceitos estudos, propiciar o desenvolvimento de
diversas estratégias de ensino e aprendizagem e realizar diagnósticos da
realidade da escola. São utilizados, ainda, para a apresentação de conteúdos
complementares, pesquisas, produções de vídeo, trabalho com gêneros textuais,
utilizando linguagem verbal e não verbal, apresentação, elaboração e
interpretação de gráficos diversos, produção gráfica plástica, leitura e
releitura de imagens.
Percebemos,
conforme entrevista com alunos e professores, que os principais desafios no uso
das tecnologias no contexto escolar são: alguns dos equipamentos disponíveis se
encontram tecnologicamente ultrapassados e em quantidade insuficiente para
atender a demanda; recursos como a conexão de internet lenta; os alunos que ainda
não possuem uma percepção adequada sobre as possibilidades da utilização para
fins de aprendizagem; o desinteresse por parte de alguns professores para o uso
e capacitação para as tecnologias; a diferenciação do puramente lúdico do
pedagógico.
O grupo de formação tem como objetivo coletar dados também
com os professores que atuam nas turmas do ensino fundamental (anos iniciais e
finais), no entanto, aguardamos data agendada para interagir com os mesmos.
Após esse momento, realizaremos estudos com os professores e alunos dessas
turmas.
As teorias de
aprendizagem construtivistas e sociointeracionistas fundamentam bem o papel das
TDICs no processo de ensino e aprendizagem, uma vez que elas possibilitam a
construção do saber através das práticas coletivas nas quais, os indivíduos
podem contribuir com o conhecimento próprio em benefício do grupo, socializando
conceitos que lhe são familiares.
Consideramos,
inicialmente, que um dos desafios para a integração das TDICs encontrado na
escola é a criação de uma percepção de cultura digital e não de meros recursos
tecnológicos de apoio ao trabalho docente e discente. Outro desafio é o de
mobilizar todos os integrantes da comunidade escolar para sua integração e,
finalmente, mudar o entendimento sobre as TDICs e sua inevitável participação
no cotidiano escolar e na prática docente.
Diante do exposto,
apresentamos algumas sugestões para fortalecer o processo da cultura digital na
EEB Luiz Delfino: capacitações periódicas sobre as TDICs para os professores e
equipe gestora; instalação e/ou modernização da estrutura das TDICs na escola;
aumento da capacidade de recursos como a internet nas escolas; criação de
materiais pedagógicos ou um currículo específico para os usos das TDICs.
O estudo para
compor retrato aponta alguns caminhos para o grupo de formação, participante da
Especialização na Cultura Digital (UFSC/MEC/SED-SC/UNDIME). Tendo em vista a
realidade observada na escola, as suas possibilidades e limitações, e diante do
conceito de cultura digital elaborado pelo grupo para essa realidade,
entendemos que precisamos superar alguns desafios individuais e coletivos.
Para tanto,
compreendemos ser necessário mobilizar e sensibilizar os sujeitos participantes
do processo ensino-aprendizagem para as possibilidades e potencialidades que as
TDICs oferecem. Os meios para alcançar esse objetivo implicam em propiciar
momentos de formação e socialização que as tecnologias oportunizam para o
processo. Essas práticas resultarão em um envolvimento coletivo para o
fortalecimento e efetivação da cultura digital na escola.
Também entendemos
necessária uma política de Estado para adequada estruturação física das escolas
no sentido de possibilitar a implantação e desenvolvimento das tecnologias para
atender a demanda que a realidade exige, bem como a constante atualização dos
recursos por elas oferecidas.
REFERÊNCIAS:
BUMENAU. Projeto
Político Pedagógico da Escola de Educação Básica Luiz Delfino. Blumenau,
2014.
JOBIM E SOUZA, Solange; GAMBA JR.,
Nilton. Novos suportes, antigos
temores: tecnologia e confronto de gerações nas práticas de leitura e escrita. Revista Brasileira de Educação, n. 21,
p. 104 - 114, 2002. Disponível em: <http://www.anped.org.br/rbe/rbedigital/RBDE21/RBDE21_10_SOLANGE_JOBIM_E_SOUZA_E_NILTON_GAMBA_JR.pdf>. Acesso em: 01 jun. 2013.
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